Sobre estar novamente em casa

Leia ao som de Too Much To Ask

Enquanto voltava pra casa em uma quarta-feira dessas, notei que as coisas aqui dentro estavam tomando seu lugar finalmente. Confesso que quando me dei conta foi meio frustrante. Sabe quando a gente começa a decorar nosso quarto novo e pensa em um milhão de alternativas diferentes pra não ser parecido com o que tínhamos antes e, depois de muito trocar as cores, os móveis, acabamos percebendo que, na verdade, continua muito parecido com o que sempre foi e é bom se sentir em casa? Sinto isso. Dei voltas mais voltas, corri uma maratona e berrei por ai que estava tudo diferente pra me dar conta de que, na verdade, tudo continua meio igual.

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Sempre gostei de dizer que sou verdadeira com todo mundo e que espero, no mínimo, o mesmo dos outros. Seria uma pena se, na realidade, com aquela que eu precisaria ser mais verdadeira eu estivesse mentindo e enganando o tempo todo: eu mesma.

Tomamos atitudes impulsivas e que tem consequências sérias quando queremos fugir da realidade. Foi assim que vivi os últimos tempos. Faz parte as desilusões amorosas ou o emprego que não deu certo, mas precisamos ser sinceros quando as coisas não vão bem. Nunca percebemos quando é com a gente.

Não se sinta culpado se, em algum momento, você quis esquecer o que berrava ai dentro só porque tinha medo de nunca dar certo. As histórias nunca são iguais e, de vez em quando, a gente precisa prender com os erros. Eu estou aprendendo a me perdoar pelas atitudes impulsivas que tenho.

Cada coisa na vida da gente tem uma lição valiosa pra ser gravada por nós, mas se estamos preocupados demais em fazer tudo por impulso, vamos acabar tendo uma bola de neve gigante atrás de nós – a culpa – e ela acaba nos matando em algum momento.

Deitei a cabeça no travesseiro e quando fechei os olhos vi os teus. Dei voltas e voltas, corri uma maratona e berrei por ai que estava tudo diferente pra me dar conta de que, na verdade, tudo continua meio igual. Teus olhos escuros ainda ditam o ritmo das batidas do meu coração. Não é tão frustrante lembrar que ainda me sinto em casa quando estou contigo, meu bem.

-M.S.

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